21.9.05

Sangue de São Genaro. Os ateus fazem de tudo para provar que é mentira, mas... não conseguem.

Folha de S. Paulo, quarta-feira, 21 de setembro de 2005
Químicos questionam sangue de santo
Jean-Jacques Bozonnet, Le Monde

Roma — “Dissolva 25 gramas de cloreto de ferro em cem mililitros de água, acrescente dez gramas de carbonato de cálcio. A reação química fará a solução ficar marrom escura. Passe a solução para um recipiente de gargalo fino, acrescente sal de cozinha, agite e deixe descansar por duas horas.” Essa é a receita sacrílega proposta na internet aos interessados em reproduzir em casa o sangue de são Genaro, o santo cujo 1.700º aniversário de morte, por decapitação, a cidade de Nápoles comemorou no último dia 19.

O gel, cujo modo de fabricação figura no site do Comitê Italiano para o Controle dos Fenômenos Paranormais (Cicap), se liquefaz quando é ligeiramente sacudido. “O processo pode ser reproduzido à vontade”, diz o site.

Para a astrofísica Margherita Hack, do Cicap, não é preciso procurar mais longe a explicação do suposto “milagre do sangue”, pelo qual o sangue seco do santo fica líquido três vezes por ano na catedral de Nápoles — no primeiro domingo de maio, a cada 19 de setembro e a cada 16 de dezembro —, em um fenômeno descrito pela igreja como “acontecimento prodigioso”.

Refutando o Cicap, um porta-voz do bispado de Nápoles lembrou que a receita funciona instantânea e muito rapidamente. “Como explicar, então, que o sangue de São Genaro se liquefaz às vezes instantaneamente, às vezes após dias e dias de oração, e às vezes não, como em maio de 1976? É imprevisível.”

A liquefação do sangue do santo voltou a acontecer na última segunda-feira, às 9h52, diante de uma multidão e das mais altas personalidades da região. Uma salva de 21 disparos de canhão confirmou a notícia, e os políticos tanto de direita quanto de esquerda saudaram “esse sinal de bom augúrio para a cidade”.

Outros fiéis compareceram ao mosteiro de Pozzuoli, onde são Genaro foi decapitado. Segundo a tradição, manchas de sangue sobre uma pedra seriam vestígios do mártir. Um jovem frade capuchinho que vive no mosteiro confirmou aos jornalistas: “As manchas são negras o ano inteiro, mas ficam vermelhas, cor de rubi, quando o 19 de setembro se aproxima. É uma coisa extraordinária que já vi com meus próprios olhos”.